Movimento Roessler – Assim começou

18 jul 2008 | Seção: Destaques

1978. Fundação Evangélica. 3ª série do Segundo Grau. Aula de Ecologia. O professor Schmeling relembra os pioneiros: Albert Schweitzer – José Lutzenberger – Henrique Luiz Roessler. Transmite conceitos básicos da ecologia: ecossistema, nicho ecológico, equilíbrio ecológico, outros. Comenta a tragédia de Hermenegildo. Alerta para as conseqüências do desmatamento. Poluição. Lixo (doméstico, industrial, atômico). As ameaças ao Rio dos Sinos. Discute nossas responsabilidades e omissões.

Após uma dessas aulas, Schmeling é procurado por um grupo de alunos. Vale a pena recordá-los: Cristine Beck, Hans Thomas Goetz, José Roberto Silveira (o Bolota), Maria Cristina Fedrizzi (a Tina), Nílvia Heidrich e Cristine Weissheimer. Propõem uma reunião com outros jovens para encontrar caminhos que alertem para a necessidade de preservar o meio ambiente em Novo Hamburgo e no Vale do Rio dos Sinos. Schmeling entusiasma-se com a iniciativa. É acertada uma reunião para uma noite, na próxima semana. Os alunos encarregam-se de convidar alguns amigos interessados.

A reunião realiza-se na sala dos professores da Fundação Evangélica e conta com a presença, entre outros, do assessor de imprensa da Prefeitura, José Ferlauto, e do estudante universitário Sérgio Rolim. Estabelece-se, desde o início, um ambiente de simpatia recíproca, baseado na identidade de preocupações.

A essa reunião seguem-se outras e esboça-se a idéia de criar algo que reúna e dê voz aos que se preocupam pelas questões ambientais da região. O que seria? Uma agremiação? Um clube? Uma associação? O grupo opta pelo MOVIMENTO por sentir que ele melhor expressa a índole da iniciativa: sem preocupações burocráticas e interesseiras, e sim a expressão de uma decisão ética.

Prof. Schmeling recebendo homenagem pelos 30 anos do Roessler O nome do recém-criado MOVIMENTO deveria expressar sua linha de ação – seja através dum adjetivo ou pelo nome duma personalidade que lhe sirva de exemplo. Schmeling lembrou-se de Henrique Luiz Roessler, porém nada sugeriu, para não impor-se a esses jovens. Da troca de idéias cristaliza-se um nome – abençoada empatia! – ROESSLER: o leopoldense idealista e corajoso que em sua intuição profética preocupava-se (quando ninguém pensava nisso!) pelo destino do Rio dos Sinos, pela preservação das florestas e de sua fauna, pela proteção dos pássaros.

Sérgio Rolim é eleito o primeiro presidente do MOVIMENTO ROESSLER – PARA DEFESA AMBIENTAL. O jornalista Ferlauto consegue bom espaço na imprensa para divulgar a criação do jovem MOVIMENTO. O Correio do Povo anuncia, em 7 de julho de 1978, a fundação do MOVIMENTO, suas origens, suas metas, seu plano de ação. Em 10 de julho o Jornal NH dedica -lhe duas páginas inteiras.

Em 7 de julho de 1978 o salão da Escola Osvaldo Cruz conta com expressivo público a participar do I. Encontro Sobre a Preservação do Meio Ambiente, promovido pelo grupo fundador do MOVIMENTO. O arquiteto Udo Mohr, coordenador da Comissão de Estudos Ambientais do Instituto dos Arquitetos do Brasil e conselheiro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN) palestra, apoiado por slides, sobre problemas ambientais, especialmente do Vale do Rio dos Sinos. O MOVIMENTO é lançado publicamente através da divulgação do documento “PONTOS DE VISTA”, assinado pelo grupo fundador: Cristine Beck, Erica Hauck, Hans Thomas Goetz, José Roberto Silveira, Maria Cristina Fedrizzi, Nilvia Heidrich, Sergio Rolim – estudantes; Kurt Schmeling – professor; José Ferlauto – jornalista; Carlos Alberto Dreher – engenheiro; Flávio Bender – fotógrafo, Carlos Mosmann.

O documento “PONTOS DE VISTA” destaca: “Nós, que convivemos com dezenas de indústrias que atacam o meio ambiente precisamos estar unidos , para fazermos Roessler e outros profetas serem ouvidos. Nosso movimento é a favor da vida e quer contrapor à desordem a ação conjunta de defesa de todo o nosso patrimônio natural que nos resta e nos é vital.” – Mais adiante pede “a aceleração da instalação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, para assessorar o prefeito municipal, técnica e politicamente, em questões ambientais” e sugere que não fiquem fora deste Conselho representantes das industriais, educadores, arquitetos, urbanistas e outros setores ligados ao problema do meio ambiente.

A história do MOVIMENTO ROESSLER nos ensina: nasceu por iniciativa dum grupo de jovens. Os jovens de então, hoje já não são mais tão jovens assim… ao menos no que toca à idade… Mas o que sustenta o MOVIMENTO é o espírito jovem! – Que jamais lhe faltem jovens – de idade e de espírito! – dispostos a lutar pelas suas metas e semear sua mensagem!

Prof. Kurt Schmeling

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