Sacolas Plásticas - O fim estará próximo?

15 set 2009 | Seção: Destaques, Notícias

Foi notícia na edição passada do Jornal do Roessler: vencemos e convencemos - o projeto de sacolas ecológicas da entidade tinha alcançado os seus objetivos. As sacolas de pano, feitas de fibras naturais vegetais, começavam a substituir as sacolas plásticas. Mais de duas mil unidades estavam nas ruas em pouco mais de um ano.

O trabalho do Movimento Roessler é semelhante ao de uma simples formiguinha. A sua ação pode parecer pequena, mas é com atos singelos que se inicia uma mudança cultural. Não seria diferente ao propor o fim das sacolas plásticas.

No mês de maio, a rede de supermercados Wal-Mart anunciou a chegada ao Rio Grande do Sul do projeto “Cliente Consciente Merece Desconto”, iniciativa que consiste em conceder desconto nas compras dos clientes que não utilizarem sacolas plásticas. Pela proposta, as lojas BIG e Nacional repassam, já no caixa, o custo das sacolas plásticas que o consumidor deixar de usar - são R$ 0,03 por sacola. A cada cinco produtos, o consumidor recebe o valor de uma sacola.

Em apenas um mês da iniciativa no Estado, a rede Wal-Mart anunciou que reduziu em 600 mil o número de sacolas plásticas solicitadas pelos clientes para embalar suas compras. A redução significou R$ 18 mil reais em descontos no caixa. Em toda a região Sul, no mesmo período, a diminuição chegou a 1 milhão de sacolas plásticas. A meta do Wal-Mart Brasil é reduzir pela metade o uso de sacolas plásticas até 2013.

Oxibiodegradáveis

Em Brasília, a discussão voltou a ser sobre a adoção de sacolas produzidas com plásticos oxibiodegradáveis. Audiência pública realizada no início de julho, pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, considerou desnecessária a proposta de substituição das sacolas plásticas pelas oxibiodegradáveis.

A iniciativa consta no projeto de lei 612/07, de autoria do deputado cearense Flávio Bezerra. A promessa é de que esse tipo de sacola poderia degradar-se naturalmente, primeiro pela oxidação gerada por luz e calor, e depois pela ação dos micro-organismos. Seus resíduos finais também não seriam ecotóxicos.

No entanto, as vantagens ecológicas são questionáveis. A Confederação Nacional da Indústria se manifestou contrariamente à proposta por ela impor uma tecnologia inadequada e vetar as demais alternativas tecnológicas.

Os supermercados já anunciaram que esperam do Ministério do Meio Ambiente uma posição quanto ao uso das sacolas plásticas: manter, reduzir a distribuição, cobrar por ela ou banir totalmente o seu uso.

Presente na audiência, o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa, declarou que os bioplásticos, plástico verde e sacolas de papel teriam suas desvantagens, sendo preferível o uso de sacolas de pano retornáveis (aquelas da campanha do Roessler).

O entendimento do diretor do Ministério do Meio Ambiente parece o mais correto. Antes de arriscar com tecnologias duvidosas, mais vale apostar nas sacolas de pano. O Roessler fez sua parte ao iniciar esse processo em Novo Hamburgo e provou que ideias simples para cuidar do planeta merecem a atenção de todos. Que a sociedade tenha coragem de participar dessa mudança.

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